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Dengue: manual descreve técnicas para pesquisa em animais

Escrito por Monica Mourão Lara Neto | Criado: Quarta, 24 Novembro 2010 11:58 | Publicado: Segunda, 28 Março 2016 11:58 | Última atualização: Terça, 10 Maio 2016 10:58 | Acessos: 1593

O uso de animais é uma etapa fundamental na pesquisa biomédica. Após investigações de bancada utilizando técnicas in vitro, elas funcionam como um divisor de águas: é com base nos resultados obtidos que os estudos podem ou não passar para a fase clínica, em humanos. Para que o estudo com animais seja de fato eficaz, é necessário encontrar um “modelo” adequado reproduzindo da forma mais aproximada possível o modo como uma determinada doença evolui nos seres humanos. Contribuindo para os estudos em dengue, pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) acabam de publicar um manual que sintetiza e descreve técnicas aplicadas em um modelo experimental murino para estudo dos vírus tipo 1 e 2 da dengue.

Pioneiro no país, o manual Modelo animal experimental para estudo da patogênese dos vírus dengue sorotipos 1 e 2 pode servir como instrumento de orientação para pesquisadores no desenvolvimento de candidatos a testes de vacinas e fármacos contra a doença. A publicação ultrapassa a relevância do ponto de vista técnico: ele é assinado pelas pesquisadoras do Laboratório de Morfologia e Morfogênese Viral do IOC, Débora Barreto Vieira e Monika Barth, juntamente com Hermann Schatzmayr, virologista de destaque no cenário nacional e falecido em junho de 2010; trata-se de uma obra póstuma do especialista.

As pesquisas que resultaram na elaboração do manual foram iniciadas em 1997. “Após treze anos de pesquisas, apresentadas em dissertações de mestrado, teses de doutorado, monografias e artigos científicos publicados em revistas nacionais e internacionais, conseguimos reunir todas as técnicas em um único volume”, comemorou Débora Barreto-Vieira. Com o estudo, foi possível observar que as alterações morfológicas em tecidos de camundongos infectados foram semelhantes às demonstradas em casos humanos de dengue. “Os resultados confirmam que camundongos BALB/c são susceptíveis para infecção pelos vírus DENV-1 e DENV-2 e que podem ser utilizados como referência para o entendimento da patogênese dos DENV e de outros flavivírus” afirmou Débora. A aplicação de técnicas histológicas e de microscopia eletrônica de transmissão confirmaram as investigações até o nível ultraestrutural.

O modelo animal já foi aplicado como teste para um candidato a vacina contra a dengue e os resultados foram inteiramente positivos.

A pesquisadora Monika Barth explica que, apesar de ser um manual que utiliza como referência o vírus dengue, também pode ser aplicado para o estudo de outros vírus. “Sendo um manual de técnicas, é possível utilizá-las para elucidar a questão da falta de modelos animais para outros vírus que não possuam um modelo experimental para teste de candidatos a uma vacina e a fármacos” destacou.

O manual é uma publicação da editora Interciência, produzido em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ). O exemplar pode ser adquirido através do site da editora.

*Fonte: Comunicação / Instituto Oswaldo Cruz)

Assunto(s): dengue
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