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Mosquitos aliados da Fiocruz chegam às áreas finais de Niterói e Ilha do Governador,

Escrito por Regina Castro | Criado: Quarta, 29 Novembro 2017 11:53 | Publicado: Quarta, 29 Novembro 2017 13:32 | Última atualização: Quarta, 29 Novembro 2017 13:32 | Acessos: 370

Iniciativa faz parte do projeto Eliminar a Dengue: Desafio Brasil

 

O projeto Eliminar a Dengue: Desafio Brasil (ED Brasil), conduzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), iniciou a liberação de mosquitos aliados nas áreas finais do município de Niterói e da Ilha do Governador, na cidade do Rio de Janeiro. A nova etapa foi iniciada no dia 21 de novembro. Em Niterói, 13 bairros compõem a quarta e última região em que o ED Brasil irá atuar na cidade nesta primeira fase de expansão do projeto. É a área de maior densidade populacional.

Nas três áreas anteriores, que incluem bairros da Região Oceânica, além de Charitas, Preventório, São Francisco e Grota, vivem cerca de 92 mil pessoas.Os bairros que compõem a área atual reúnem 178 mil moradores e são os seguintes: Ingá, Icaraí, Centro, Gragoatá, Boa Viagem, Fátima, Morro do Estado, Pé Pequeno, Ponta D’Areia, Santa Rosa, São Domingos, Viradouro e Vital Brasil. No Rio, a Ilha do Governador foi a porta de entrada da expansão do ED Brasil na cidade.

A liberação de mosquitos aliados em larga escala começou a ser realizada em dez bairros em agosto de 2017 e, na semana passada, chegou às seguintes localidades: Cidade Universitária, Galeão, Jardim Carioca, Jardim Guanabara e Portuguesa, além de Cordovil, na Zona Norte. Juntos, os seis bairros totalizam uma população de, aproximadamente, 150 mil pessoas.

Os Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia, os mosquitos aliados, são criados no insetário do ED Brasil, na Fiocruz e, devido a presença desse microrganismo, têm a capacidade de transmitir dengue, zika e chikungunya reduzidas. As liberações acontecem semanal ou quinzenalmente, e são feitos dez ciclos de soltura em cada um dos pontos pré-estabelecidos por meio de Sistema de Informação geográfica (SIG). O SIG é composto por um conjunto de ferramentas capazes de analisar e identificar áreas de liberação e monitoramento dos mosquitos do projeto.

Apoio da comunidade

Quando o trabalho de liberação avança algumas semanas em uma determinada região, entram em cena apoiadores do ED Brasil que cumprem uma tarefa fundamental: são os anfitriões de armadilhas de mosquito. São moradores e comerciantes que recebem, em suas residências e estabelecimentos, a armadilha usada para capturar os mosquitos usados no monitoramento do projeto. Esses
mosquitos são coletados semanalmente por técnicos do ED Brasil e, nos laboratórios da Fiocruz, passam por uma análise que utiliza técnicas de biologia molecular para identificar a presença da Wolbachia nos Aedes aegyptiPor meio desse acompanhamento, é possível verificar a evolução da população de mosquitos aliados em relação aos mosquitos de campo, que não possuem a Wolbachia.

"A parceria com os anfitriões nos permite obter os dados para verificar o estabelecimento da população de Aedes aegypti com Wolbachia. A comunidade realmente se engaja nessa ação e se torna parte do processo, e esse envolvimento é algo que diferencia o Eliminar a Dengue: Desafio Brasil", afirmou Luciano Moreira,pesquisador da Fiocruz líder do ED Brasil.

O ED Brasil conta com 365 anfitriões de armadilha de mosquito na cidade de Niterói. A professora aposentada Rita Gomes, moradora do Engenho do Mato, na Região Oceânica, soube da possibilidade de apoiar a iniciativa em um evento do Projeto Grael, parceiro do ED Brasil. “Eu conhecia o projeto Eliminar a Dengue de ver cartazes no meu bairro. No Projeto Grael, me inteirei mais e tive vontade de ajudar, pelo fato de ser um projeto científico que pode trazer muitos benefícios. O trabalho que eles fazem em laboratório é muito importante, mas se não tiver o acolhimento da comunidade e se a gente não fizer a nossa parte, não vai acontecer”, avaliou.

Toda a família foi envolvida no monitoramento. "Se eu preciso sair e sei que o motociclista da Fiocruz vai vir pegar os mosquitos que caíram na armadilha, aviso meu marido, minha filha e minha mãe, e alguém recebe o rapaz. Nunca deixamos de fazer a entrega, se nós nos comprometemos a participar, temos que levar a sério", afirmou Rita, anfitriã há cerca de dois meses. Durante o período em que fica com a armadilha,os anfitriões recebem um reembolso para custear o consumo de energia elétrica da armadilha de mosquitos.

Engajamento

Enquanto as liberações são realizadas, a equipe de Engajamento Comunitário atua nas próximas áreas que receberão os mosquitos aliados. O objetivo é informar a população a respeito do método utilizado pelo ED Brasil. Para isso, são realizadas palestras e atividades em escolas, associações de moradores e entidades dos territórios atendidos.

Os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e os professores são parceiros importantes do projeto e auxiliam no trabalho de difusão da informação. Atualmente, a equipe de Engajamento Comunitário atende os seguintes bairros da Zona Norte do Rio: Bonsucesso, Brás de Pina, Complexo do Alemão, Manguinhos, Olaria, Penha, Penha Circular, Ramos, Colégio, Irajá, Vicente de Carvalho, Vila da Penha, Vila Kosmos e Vista Alegre. A previsão é que as ações de engajamento seja desenvolvidas nesses bairros até o final do mês de janeiro de 2018 e, na sequência, tenha início a liberação de mosquitos aliados.

A liberação de mosquitos na cidade do Rio de Janeiro será encerrada em meados de 2018 e, ao término do processo, a expectativa é que as áreas beneficiadas reúnam cerca de 2,5 milhões habitantes.

O método


O projeto ED Brasil integra o World Mosquito Program (WMP), uma iniciativa internacional, sem fins lucrativos, que tem o objetivo de oferecer uma alternativa sustentável e de baixo custo às autoridades de saúde das áreas afetadas pela dengue, Zika e chikungunya, sem qualquer gasto para a população. A sede do programa mundial é na Universidade Monash, na Austrália, e outros nove países, além do Brasil, desenvolvem atividades do WMP.


O projeto propõe um método inovador capaz de reduzir a transmissão dos vírus da dengue, zika e chikungunya por meio da liberação de mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia. Esses mosquitos, que não sofrem nenhuma alteração genética, constituem um método seguro, natural e autossustentável de combate a essas doenças.

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